segunda-feira, 5 de outubro de 2009
O teatro te persegue.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Galeria do Sistema Solar
sábado, 19 de setembro de 2009
Parece grande, mas não é.

“Ir sempre mais depressa, improvisar, encadear ainda mais rápido, lutar pelo tempo contra seu próprio saci furado. Boucot orador, mestre da retórica sem fôlego mas retoricando cada vez mais depressa, procurando seu terceiro, seu quinto, seu nono sopro”, p. 9
“Os pontos, nos velhos manuscritos árabes, eram assinalados por sóis respiratórios... Respirem, pulmoneiem! Pulmonear não é deslocar o ar, gritar, inflar, mas, pelo contrário, conseguir uma verdadeira economia respiratória, usar todo o ar que se inspira, gastá-lo todo antes de se inspirar de novo, ir até o fim do fôlego, até a constrição da asfixia final do ponto, do ponto da frase, da pontada de lado depois de correr”, p. 7
Apesar de procurar as molas movedoras dos atores – quais são elas? será necessário construí-las a cada novo processo? -, Novarina abomina a idéia de ver o intérprete como instrumento. “O ator não é um intérprete porque seu corpo não é um instrumento. (...) Os que dizem ao ator para interpretar com o instrumento de seu corpo, (...) estão do lado da má compreensão do corpo, do lado da repressão do corpo, que dizer, da repressão pura e simples. (p.20)
“O quê, o quê, o quê? Por que se é ator, hein? Só é ator quem não consegue se habituar a viver no corpo imposto, no sexo imposto. Cada corpo de ator é uma ameaça, a ser levada a sério, para a ordem ditada ao corpo, para o estado sexuado; e se um dia a gente está no teatro, é porque tem algo que a gente não suporta”, p.23
Termina com o veredicto. “Existe em cada ator algo como um corpo novo que quer falar. Uma outra economia do corpo que avança, que empurra a antiga, imposta”.
domingo, 13 de setembro de 2009
Finalmente...
Muita coisa vista no Cena, muito texto lido e o blog todo visto.
Parece-me que é recorrente a solidão, que nos envolvemos cada vez mais, à medida que caminhamos para dentro do rio antípoda, de solidão, de por-do-sol e de silêncio.
Acabo de assistir à entrevista com Clarice e me encantei pela sinceridade dela, apesar das perguntas esdrúxulas do entrevistador.
Ela sincera, sem pretensão de dar formas, respostas ensaiadas, bonitas e simples. Incompreendida alma silenciosa produtora de belas histórias. O entrevistador, formulador de questões superficias e ignorante às possibilidades que se sentavam à sua frente, Clarice.
Me deixou pensando no texto, no mínimo indispensável que se faz necessário para ir à cena e também na solidão antípoda que estaremos pesquisando e vivenciando nos próximos meses.
Vou revisitar meu blog e trazer os títulos de alguns textos que já escrevi lá sobre coisas parecidas.
Posto aqui depois os títulos, mas o blog já deixo disponível:
www.cronicasdumpersonagem.blogspot.com
Muito dessa atmosfera de Clarice e algumas palavras da menina de 16 anos me lembra poemas de Florbela Espanca...Vcs conhecem?
Posso levar no próximo ensaio.
Fiquem bem e não deixem passar as cores do céu...elas mudam tão depressa, né?
(risos).
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Proposta para Segunda
A distribuição das falas ainda está meio divergente, então propus um cenário hipotético (não que seja isso que eu quero pro texto) para que os atores fizessem uma distribuição própria se baseando nisso: A menina é mimada, cheia de problemas e tem uma certa inclinação a ser perversa. O cara é o irmão postiço de um outro casamento da mãe, tem uns 26 anos e foi incumbido de tomar conta da pirralha. O pai da menina discrimina o enteado e o coloca em uma posição de devedor, pois é muito rico e só o aceita pela mãe do garoto.
A proposta é que dentro dessas circunstâncias o Mateus e a Ju mudem drasticamente distribuição das falas (podendo até mudar o artigo das falas para caber aos gêneros), e também suas intenções. Tentem se desprender das leituras que fizemos até agora para que o texto possa ser modificado.
Tudo isso é a título de experimentação e ao meu ver, uma maneira de não cristalizar os sentidos que encontramos até agora.
Qualquer dúvida me avisem!
Sobre os lindíssimos.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Intimação.
Minhas queridas gotas de suor de sol,
não é uma sugestão, vejam bem, é uma exigência:
Mercadorias e Futuro, hoje (10/9, dez de setembro, dez do nove, quinta-feira), às 21h (9 pm, nove horas da noite, vinte e uma horas, uma hora para as vinte e duas), na sala Martins Penna (não na Villa Lobos, nem no Sesc, nem no CCBB), na Martins Penna, repito, ÚLTIMO DIA.
Sem exageros - o que fica quase impossível quando a intenção é sugerir que vocês vejam a peça -, assistam. É escrito e interpretado por José Paes de Lira, o Lirinha, vocalista do Cordel do Fogo Encantado. É ele e uma parafernália de palavras originais. É uma autorização para nossa ousadia. Saí de lá querendo trazer o Japão pro coração, nossa sala de ensaio.
Como fecho de ouro desta intimação, imploro: vejam o espetáculo Mercadorias e Futuro - e amanhã vocês me apareçam com um beijo.
(curiosidade, hehe: ele é marido da Leandra Leal, produtora e co-diretora da peça)
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Esse tal de Caio.
Como conversamos mais cedo, um pouquinho de Wikipedia sobre o Caio Fernando Abreu. Com o nome dele no Google, vocês vão chegar em muitos muitos muitos resultados. E o destino deles desembocará aqui, na gente. Ê!
ps.: detalhe para a formação profissional do Caio.
Caio Fernando Loureiro de Abreu (Santiago, 12 de setembro de 1948 — Porto Alegre, 25 de fevereiro de 1996) foi um jornalista e escritor brasileiro. Caio Fernando Abreu era homossexual assumido.
Apontado como um dos expoentes de sua geração, sua obra, escrita num estilo econômico e bem pessoal, fala de sexo, medo, morte e, principalmente, de angustiante solidão. Apresenta uma visão dramática do mundo moderno e é considerado um "fotógrafo da fragmentação contemporânea".
Cursou Letras e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas abandonou ambos para escrever para revistas de entretenimento, como Nova, Manchete, Veja e Pop. Em 1968, foi perseguido pelo DOPS, e acabou se refugiando no sítio da escritora Hilda Hilst, em Campinas. No início dos anos 70, exilou-se por um ano na Europa, passando por países como Inglaterra, Suécia, França, Países Baixos e Espanha.
Em 1983, mudou-se de Porto Alegre para o Rio de Janeiro e, em 1985, para São Paulo. Voltou à França em 1994 e retornou no mesmo ano, ao descobrir-se portador do vírus HIV. Faleceu dois anos depois, em Porto Alegre, onde voltara a viver novamente com seus pais e dedicando-se a tarefas como jardinagem.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Ouvi deitada na cama.
"Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud",
Caio Fernando Abreu sobre Clarice, em Carta ao Zézim.
Aqueles dois.
Rainhas.

