quarta-feira, 9 de setembro de 2009

"A revolução não é saudável para a cabeça e os pescoços dos envolvidos, sejam heróis, sejam bandidos" Fernando Bonassi



Vamos começar a gritar.

Esse tal de Caio.


Como conversamos mais cedo, um pouquinho de Wikipedia sobre o Caio Fernando Abreu. Com o nome dele no Google, vocês vão chegar em muitos muitos muitos resultados. E o destino deles desembocará aqui, na gente. Ê!

ps.: detalhe para a formação profissional do Caio.

Caio Fernando Loureiro de Abreu (Santiago, 12 de setembro de 1948Porto Alegre, 25 de fevereiro de 1996) foi um jornalista e escritor brasileiro. Caio Fernando Abreu era homossexual assumido.

Apontado como um dos expoentes de sua geração, sua obra, escrita num estilo econômico e bem pessoal, fala de sexo, medo, morte e, principalmente, de angustiante solidão. Apresenta uma visão dramática do mundo moderno e é considerado um "fotógrafo da fragmentação contemporânea".

Cursou Letras e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas abandonou ambos para escrever para revistas de entretenimento, como Nova, Manchete, Veja e Pop. Em 1968, foi perseguido pelo DOPS, e acabou se refugiando no sítio da escritora Hilda Hilst, em Campinas. No início dos anos 70, exilou-se por um ano na Europa, passando por países como Inglaterra, Suécia, França, Países Baixos e Espanha.

Em 1983, mudou-se de Porto Alegre para o Rio de Janeiro e, em 1985, para São Paulo. Voltou à França em 1994 e retornou no mesmo ano, ao descobrir-se portador do vírus HIV. Faleceu dois anos depois, em Porto Alegre, onde voltara a viver novamente com seus pais e dedicando-se a tarefas como jardinagem.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ouvi deitada na cama.

http://www.youtube.com/watch?v=2Orgxd9bD_c&feature=related

"Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud",

Caio Fernando Abreu sobre Clarice, em Carta ao Zézim.

Aqueles dois.


"A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como "um deserto de almas" (...) E perdidos no meio daquilo que Raul (ou teria sido Saul?) chamaria, meses depois, exatamente de "um deserto de almas", para não sentirem tanto frio, tanta sede, ou simplesmente por serem humanos, sem querer justificá-los — ou, ao contrário, justificando-os plena e profundamente, enfim: que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem? Pois foi o que aconteceu. Tão lentamente que mal perceberam" Caio Fernando Abreu, em Aqueles Dois.


Aperitivo da peça que, olhem que beleza, meus crianças, está na programação do Cena Contemporânea (êêê):


Aqueles Dois / Luna Lunera (Teatro Garagem)

- Quarta (9 de setembro) e Quinta: 19h


Rainhas.


De repente, agora, pensei em acordarmos muito muito cedo e assistirmos um filme antes de um dos nossos encontros. Acabei de ver um: Elizabeth - A Era de Ouro. Sempre guardei no meu imaginário como sendo um bom filme, e é mesmo. Elizabeth aparece com tanta força.
Era preciso. Ela não teve filhos, nunca foi para a cama com ninguém, não teve senhor. Era preciso força, sobretudo, para enfrentar uma liberdade tão poderosa. E agora estou com aquele sentimento pós filme, aquele jato, congelado e difuso - sinto na garganta e no alto do estômago.
Às vezes, me pergunto: existe um sentimento bom na tristeza?

sábado, 5 de setembro de 2009